A gestão de riscos em transportadores de correias é extremamente importante para o bom funcionamento dessas operações industriais, sobretudo em sistemas de manuseio de materiais a granel.
Conforme norma internacional, que objetiva dispor os elementos e condutas para a gestão de riscos, o risco pode ser definido como o resultado da incerteza nos objetivos esperados. A incerteza, por sua vez, consiste na ausência de dados concretos referentes a um evento, seu entendimento, a probabilidade de sua ocorrência e as consequências resultantes.
Nesse sentido, os perigos existentes devem ser documentados e controlados de forma apropriada devido à incidência de riscos em locais e equipamentos. Além disso, durante a operação, o profissional que irá conduzir o estudo de risco deve planejar o tempo e os recursos necessários para concluir essa gestão. Por vezes, alguns riscos com maior grau de magnitude podem requerer análises detalhadas de especialistas na disciplina englobada, enquanto outros podem ter um risco reduzido o suficiente para não precisar de estudos mais detalhados.
A importância da escolha dos transportadores para a gestão de riscos
De modo geral, no dia a dia das empresas que lidam com manuseio de sólidos a granel, a escolha dos transportadores que serão objetos de um estudo mais detalhado pode depender de vários fatores. Por exemplo, algumas das questões que podem influenciar de forma relevante na escolha desses ativos são:
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- Estado de conservação das estruturas civis e metálicas, bem como componentes mecânicos;
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- Proximidade junto ao mar, emissão de particulados ou outra fonte de corrosão;
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- Se o transportador está rente ao chão ou elevado;
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- Criticidade do equipamento para o processo produtivo. Neste aspecto, é importante saber se o objeto em análise é singelo ou possui redundância;
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- Acesso ao objeto, bem como forma de operação e manutenção;
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- Histórico de sinistros.
Além disso, sob o ponto de vista da segurança, o ideal é que essas análises sejam feitas nos equipamentos periodicamente, desde a sua concepção, de forma a possibilitar a mitigação das possibilidades de sinistro. Nesse contexto, até uma inspeção visual na parte estrutural é recomendável de ser realizada sob as luzes da gestão do risco em que esses serão identificados, analisados e avaliados, definindo as ações requeridas para seu tratamento.
Como fazer a gestão de riscos em transportadores de correias de modo eficiente?
Dessa forma, existe uma grande possibilidade de aplicações de ferramentas para gestão de riscos. Além disso, no mercado de manuseio de sólidos a granel, como mineração, portos e empresas agrícolas, existem incontáveis transportadores de correia com anos de operação, com diversos fabricantes e tipos de manutenção.
Portanto, a metodologia proposta para essa gestão de riscos deve ser de fácil utilização pelo pessoal envolvido na preservação do ativo.
Antes de tudo, ao realizar esse tipo de análise, é essencial conhecer qual fase do projeto o transportador se encontra para a definição da ferramenta.
Essas etapas são diversas, sendo algumas delas:
1. Concepção do projeto;
2. Detalhamento do projeto;
3. Planejamento da construção;
4. Comissionamento;
5. Operação;
6. Manutenção.
De forma ideal, o indicado é iniciar as análises e a gestão de risco desde a concepção do projeto, assim as práticas serão mais eficazes e necessitarão de um menor custo de investimento.
Ferramentas necessárias para a gestão de riscos em transportadores de correias
A gestão de riscos pode variar com o uso de ferramentas mais simplificadas, para riscos de atividades menos complexas, até processos com alto grau de dificuldade, envolvendo modelagens matemáticas.
Entretanto, uma escolha errônea de ferramenta pode afetar negativamente a confiança no processo de gerenciamento de riscos. Em suma, os dois principais erros mais comuns na seleção são:
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- Optar por uma ferramenta que não é capaz de analisar, avaliar e definir o tratamento do risco de forma efetiva;
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- Optar por uma ferramenta mais complexa e/ou demorada do que realmente é necessário dado a simplicidade da análise e a clareza do tratamento.
A identificação do risco é uma fase de suma importância dentro dessa gestão. Caso esta fase não for realizada de forma apropriada, as demais etapas são comprometidas. Para identificar os riscos existentes em campo em transportadores, é interessante iniciar a jornada de gestão de riscos por meio da utilização de um checklist, que deve ser preenchido na inspeção em campo do transportador de correia que está em manutenção ou operação. Além disso, vale ressaltar que o checklist também é adequado para as outras etapas da vida do ativo.
Checklist para a gestão de riscos
A elaboração do checklist deve ter como partida o atendimento às normas correspondentes ao objeto, bem como a expertise da equipe envolvida. Na sequência, um brainstorming ou uma reunião para consolidação são indicados.
Assim, é possível agrupar os perigos indesejáveis para que se possa atribuir uma probabilidade e impacto associados a cada risco. Sendo assim, além da lista de verificação, pode ser utilizada mais uma ferramenta na identificação de riscos associada ao checklist.
Posteriormente, para a gestão do risco é necessário decidir a respeito do nível e prioridade dos perigos. Nesta fase, os riscos podem ser determinados como toleráveis, inaceitáveis ou passíveis de mitigação.
Durante a etapa de tratamento dos riscos, os controles existentes são avaliados e define-se a necessidade de novos fornecimentos para a mitigação ou eliminação do perigo. Neste processo, há uma grande quantidade de interação entre a avaliação e o tratamento da ameaça. Em todo tempo, como preconizado nas normas de risco, deve-se atentar para o monitoramento das etapas da análise, bem como comunicar o estudo realizado de forma eficiente a todos os envolvidos.
Conclusão
A gestão de riscos é um assunto de suma importância para o contexto industrial como um todo. Com ela, é possível identificar, analisar e tratar riscos de diversas fontes, que poderiam causar os mais diversificados danos, sejam eles financeiros, humanitários, sanitários e/ou ambientais.
A metodologia adotada pela Kot Engenharia para gestão de riscos em transportadores de correia apresenta como uma das principais vantagens a ampla aplicação em infinidades de tipos de transportadores. Além disso, por não necessitar de estudos computacionais complexos, não apresenta um grande custo de investimento necessário.
A Kot possui a experiência necessária para identificar, registar, analisar e elaborar planos de intervenções relacionados aos riscos envolvidos nas atividades das suas empresas. Consulte nossa equipe para mais informações!
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FAQ
1. Como o artigo define “risco” e “incerteza” com base nas normas internacionais?
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Risco: É o resultado da incerteza no atingimento dos objetivos esperados.
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Incerteza: É a ausência de dados concretos e consolidados sobre determinado evento, compreendendo o desconhecimento de seu entendimento, de sua probabilidade de ocorrência e das consequências resultantes.
2. Quais fatores determinam quais transportadores de correia devem passar por um estudo de risco mais detalhado?
A escolha dos ativos prioritários para análise detalhada depende de seis fatores principais apontados no texto:
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Estado de conservação das estruturas civis, metálicas e componentes mecânicos;
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Ambiente e corrosão, como a proximidade junto ao mar ou áreas com alta emissão de particulados;
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Posição do equipamento, verificando se o transportador é elevado ou instalado rente ao chão;
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Criticidade para o processo, avaliando se o equipamento é singelo (linha única) ou possui redundância;
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Acessibilidade, considerando os caminhos de operação e manutenção;
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Histórico de sinistros e ocorrências passadas no equipamento.
3. Quais são as fases da vida útil do transportador de correia e qual o momento ideal para iniciar a gestão de riscos?
O ciclo de vida do ativo compreende seis etapas principais:
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Concepção do projeto;
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Detalhamento do projeto;
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Planejamento da construção;
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Comissionamento;
-
Operação;
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Manutenção.
O momento ideal para iniciar a gestão de riscos é na concepção do projeto. Iniciar nessa fase torna as práticas de controle mais eficazes e exige um menor custo de investimento financeiro.
4. Quais são os erros mais comuns na escolha de ferramentas de gestão de risco?
Segundo o texto, a seleção incorreta da ferramenta compromete a confiança no processo. Os dois erros mais frequentes são:
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Selecionar uma ferramenta insuficiente, incapaz de analisar, avaliar e direcionar o tratamento do risco de forma efetiva;
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Selecionar uma ferramenta excessivamente complexa ou demorada, desproporcional à simplicidade da análise e à clareza das ações necessárias.
5. Como funciona a etapa de identificação de riscos com o uso de checklists?
A identificação é a fase mais crítica da gestão de riscos; se for mal executada, todas as etapas seguintes ficam comprometidas. O processo inicia-se com um checklist preenchido durante a inspeção em campo (seja na operação ou manutenção), elaborado com base nas normas técnicas do equipamento e na experiência da equipe. Posteriormente, realiza-se um brainstorming ou reunião de consolidação para agrupar os perigos e atribuir-lhes probabilidades e impactos.
6. Como os perigos identificados são classificados e tratados?
Após o mapeamento, os riscos são priorizados e categorizados em três níveis:
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Toleráveis;
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Passíveis de mitigação;
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Inaceitáveis.
Na etapa de tratamento, analisam-se os controles operacionais existentes e define-se a necessidade de novos recursos ou modificações para eliminar ou mitigar a ameaça. Todo o processo exige monitoramento contínuo e comunicação eficiente entre os envolvidos.
7. Quais são as principais vantagens da metodologia de gestão de riscos proposta pela Kot Engenharia?
A metodologia da Kot destaca-se por duas vantagens centrais:
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Ampla aplicabilidade: Pode ser empregada em infinitos tipos e modelos de transportadores de correia;
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Baixo custo de investimento: Não exige a realização de estudos computacionais complexos para a definição das ações de controle e preservação do ativo.
Referências:
[1] ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 13743:1996. Roteiro de inspeção para transportadores contínuos em operação – Transportadores de correia. Rio de Janeiro.
[2] ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 13742:2009. Transportadores contínuos – Transportadores de correia – Procedimentos de segurança. Rio de Janeiro.
[3] ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 13862:2017. Transportadores contínuos — Transportadores de correia — Requisitos de segurança para projeto. Rio de Janeiro.
[4] CEMA (CONVEYOR EQUIPMENT MANUFACTURERS ASSOCIATION). TR 2015 – 01 – Recommended CEMA Risk Assessment Process, 2015.
[5] FERREIRA, AENDER LUCIO BARBOSA – METODOLOGIA PARA AVALIAÇÃO DE RISCO EM EQUIPAMENTOS DE MINERAÇÃO APLICADOS A TRANSPORTADORES DE CORREIA
[6] ISO. ISO 31000: 2009. Risk management–Principles and guidelines. International Organization for Standardization, 2009.
[7] JOY, Jim; GRIFFITHS, Derek. National Minerals Industry Safety and Health Risk Assessment Guideline, Minerals Industry Safety and Health Centre (MISHC), University of Queensland, Australia, 2005.
[8] JOY, J. Occupational safety risk management in Australian mining. Occupational medicine, v. 54, n. 5, p. 311-315, 2004.
[9] MAQOHSC (MINING AND QUARRYING OCCUPATIONAL HEALTH AND SAFETY COMMITTEE). MAQFRM-001 – Conveyor Safety Inspection Checklist, 2015.
[10] MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. Norma Regulamentadora nº 12- Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos. Portaria da Secretaria de Inspeção do Trabalho – SIT – Nº 233 DE 09.06.2011.
[11] MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. Norma Regulamentadora nº 22- Segurança e Saúde Ocupacional na Mineração. Portaria da Secretaria de Inspeção do Trabalho – SIT – Nº 202 DE 26.01.2011.


